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domingo, 16 de maio de 2010

Perfiltro

Sou.eu.
Alguém.
que já quis ser jogador de futebol;
que já quis ser desenhista;
que não tem talento pra nenhuma das duas coisas;
Alguém que sempre achou que Hanna Barbera era uma só pessoa;
Que Carmina Burana era nome de uma cantora;
Que o Sr. Amaral era marido da Dona Tarsila;
Que tem medo de altura e do HopHari;
Alguém que ri quando vê clips de popstar's em seus shows com roupa de festa; e ri também quando é acometido por um lapso;
Que gosta de chocolate, de pizza, livros e Dolly Cola;
Que gosta de música;
Que ouve desde Marvin Gaye a Queen of the Stone Age;

Que não ouve Avril Lavigne.
Nem Sandy (solo ou acompanhada do Durvalzinho);

Que não suporta rotina;
nem clichês;
Uma pessoa;
que odeia os trocadilhos infames com o sobrenome do poeta Fernando;
que odeia a pedra drummondiana e a obra poética de Machado (mas adora a prosa do bruxo);
Um homem pecador;
que não leu ainda Dostoiévski, nem Saramago,Dante ou Goethe;
Mas leu Faulkner, Kafka, Puchkin, Rimbaud, João Antônio, Fante, Rosa, Drummond e Leminski.

Um cara que é mais observador que falante e por isso procura ver os dois lados das coisas: o dentro e o de fora;
Alguém que acredita na vida;
Que não duvida, não afirma, mas debate o absurdo;
Que sabe o lado positivo da solidão;
E o lado negativo da Liberdade;
Que ama a amizade;
Que sonha;
Que erra;
que objetiva;
que acerta;
Alguém que nunca sonhou em ser bombeiro ou astronauta como qualquer criança.
Que nunca quis ser escritor quando crescesse;
E que agora quer crescer sendo escritor;
Que publicou um filho e já plantou um pé de feijão no algodão;
Que já tentou resumir sua vida;
Sou;
Israel:

Alguém que já escreveu um monte de palavras, e ainda não conseguiu traduzir suas inquietações.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Invenção do contemporâneo (?) ...rs (título roubado)

Sob um ponto de vista sociológico, a liberdade é a faculdade que o homem tem de escolher, sem restriões, tomar ou não uma determinada atitude, uma posição ideológica e de decidir sobre seu pensamento. Para Rousseau, a liberdade consiste em "governar a própria existência", ao passo que, na definição de Montesquieu, ser livre é "fazer tudo o que a lei não proíba". Seja qual for a liberdade - a legal ou a subversiva - a verdade é a de que sempre houve restrições no que tange à autonomia do indivíduo.
Exemplos disso estão na própria historiografia, como a intolerância nazista para com os judeus, homossexuais, ciganos e estrangeiros; as Cruzadas, que antagonizaram cristãos e muçulmanos no embate ideológico; no Brasil, a liberade foi sufocada quando do decreto AI-5, ou ainda, mais recentemente, o escândalo que envolveu a censura dentro da imprensa . Assim, vê-se que as liberdades de culto, escolha e expressão tivera, - e têm - suas repressões.
Indubitavél o fato de que a liberdade não deve ser exercida em função do declínio de alguém, isto é, não deve privar outrem de sua própria liberdade. Kant, se não me engano(e se estiver enganado me corrijam por favor) disse algo parecido, de que a liberdade de um indíviduo se estende até o ponto de compatibilidade com a do outro. É então de suma importância que a manifestação de idéias não seja reprimida. Só que muita gente confunde essa idéia de liberdade, algo como: "Sou livre pra pensar o que quiser" e como tal, tem o direito de ser homofóbico, racista ou qq outra coisa. Afinal, seria a liberdade de expressão e opnião.
Bom, se a idéia é não suprimir a liberdade do outro, então, por ex.: impedir um fumante de fumar em local público é censura, certo? Não penso bem assim, penso que não se está anulando a liberdade de um, mas sim respeitado a do outro, vendo-se pela seguinte relação: quem veio primeiro (o ovo ou a galinha?...rs...não, não) quem, o fumante ou o não-fumante? Então, se existia o não-fumante, qdo surgiu o cigarro a liberdade daquele foi ferida. Assim como, antes do preconceito há as minorias, quando surgem as "maiorias" é aquela que tem sua liberdade sufocada. Assim, não dá pra dizer que ir contra a xenofobia e desrespeitar a liberdade do xenófobo, ir contra o anti-semitismo é agredir a "liberdade de opinião" daqueles que não aceitam judeus (quem veio primeiro?).
Talvez essa minha idéia cause algumas opiniões diferentes - td bem, somos livres pra contradizer o outro (desde que a liberdade do outro tb se faça), mas ainda assim resolvi expressá-la.
Fora isso, a importância da liberdade reside em tudo quanto é aréa do conhecimento humano: dentro da sua criatividade, de sua atitude, idéias, como nas contibuições da ciência, que mesmo sofrendo repúdio - desde o exílio de Gallileu até a famosa utilização da celula-tronco - conseguiu se sobressair com suas teorias, graças a "liberdade de pensamenteo" de gênios que auxiliaram o homem a compreender a si e ao mundo.
Em suma, quis espôr a idéia de que liberdade e respeito devem caminhar juntos, sem que a liberdade de um fira a do outro. Logo, paro por aqui, sem querer impôr a minha a ninguém.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Créu

Não sou muito de ver televisão – ainda mais que só disponho da tv aberta, quase sem opção – mas às vezes assisto a MTV, algum filme na Globo e a TV Cultura, que é a que mais vejo, já que ali estão os estilos de programas dos que mais gosto: Entrevistas, debates, literatura e filmes fora de ‘catálogo’. Num desses programas, o Letra Livre, apresentado pelo Manuel da Costa Pinto, tivemos uma troca de idéias com o médico e escritor Moacyr Scliar, e, recebendo de um uruguaio(eu acho), em certa ocasião, uma pergunta (por que no Brasil, que é um país tão alegre, há uma literatura tão negativa?), disse que não soube responder muito bem, mas também achava a literatura brasileira atual muito mal-humorada, e que ele não lê livro chato, recomendando o mesmo aos seus leitores.
Respeito essa opinião, mas decerto não entendo essa designação de livro chato, muito menos imagino como alguém pode julgar um livro como ‘chato’ sem lê-lo. Mas vou tentar uma interpretação: talvez o que Moacyr Scliar tenha se referido aos livros cujo tema é o lado negativo de nossa sociedade. Aqueles livros que, vendo na literatura uma maneira de denúncia e de revelação da realidade, acabam por apresentá-la nas suas mazelas e contradições com certo pessimismo. Com uma espécie de no future na literatura.
Sinceramente, acho sim que é possível se fazer essa literatura realista com certo humor – através da ironia e sarcasmo, por exemplo. Mas não acho que o gênero de livro que citei seja chato. Tampouco vejo alguma contradição entre o fato de o Brasil ser um povo alegre e essa literatura. Afinal, como disse Renato Russo (e li, certa vez, em uma biografia do): “Aqui no Brasil, nós somos alegres, mas não somos felizes. Existem toda uma melancolia e uma saudade que a gente herdou dos portugueses e ainda não conseguimos resolver” (in Renato Russo de A a Z. Campo Grande – MS, ed. Letra livre, 2000, p. 167).
De fato, creio que a imagem de alegres se dá pela fama do carnaval, festas tradicionais, mídias em geral, e que somos alegres sim, mas como forma de disfarçar uma tristeza que há por trás, para justificar isso, uso um ditado do próprio povo: “é rir pra não chorar”.
Tristeza ignorada talvez, por aqueles que já se resolveram individualmente e não têm esforço nenhum para pensar no coletivo, mas reforçada pela nossa – ainda – situação de terceiro mundo.
Esse mau humor é necessário de certa forma. Acho que todos temos que ter um pouco de Holden Caulfield pra não cair no comodismo. Aliás: por que mau humor? só porque não é "alegre"? chatice é algo relativo. Ou então vamos passar a considerar tudo aquilo que não é dança do créu como sendo chato?
Eu não.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Fato.dois pontos.

Preciso fazer (uma) história.

domingo, 16 de março de 2008

Redor azul - intro black

Porque um dia ele sentou na pedra e chamou por uma sombra.
tépida, cinza, a sombra não vinha. consigo, o homem fingia um refúgio. fechou os olhos anti-uv e divagou uma possibilidade remota de erro. mal compreendia a crueldade travestida que regia o mundo e o indubitável fato de que aquele mundo não o pertencia. o homem, sentado na pedra, questionou o amor - o próprio e o próximo - questionou a sombra, a pedra, o sol - que pela primeira vez o incomodava.
o homem, num movimento de rotação, procurou nos seus pares a resposta. procurou na mulher do dia anterior. linda. e incompreensível como todo bípede. nada.
decerto, o homem sabia que havia erros. clamou a sombra mais uma vez. nada.
o sol continuara lá. a pedra continuara lá .o céu continuara azul. ele continuara no refúgio anti-uv. e fechados, continuaram os olhos.
decerto, o homem sabia que havia erros.
e não soube associá-los à causa certa.

domingo, 2 de março de 2008

"Cortina de ferro" ao avesso

Sim. contraditoriamente ainda há, num mundo multipolar, a velha gerrinha gelada. Tipo amistoso - EUA x Resto do mundo. Se de um lado, a polipotência mundial tenta exercer esse seu papel, por outro, países e blocos buscam mecanismos para conseguir seu espaço. Com a era Bush, isso se intensificou - pós11/09 e a piração do Georginho contra o terror - e agora, com a eleição estadunidense, uma grande fatia de esperança é divida por todo mundo.
Só que nessa de buscar seu espaço, alguns líderes tomam posturas diversas. Se na América do Sul Lula banca o amigo de todos, Chávez é o inimigo por definição. Haja vista o que esse cara acabou de fazer na Venezuela - proibir o uso inglês em certos seguimentos. "Fale em espanhol, tenha orgulho" é o slogan do presidente.
Bom, não sei se essa é uma atitude viavél, e fico me perguntando se Chávez é um cara com muita atitude, ou se ele é um líder sem a menor idéia das consequências de suas ações.
Ir contra a hegemonia do inglês enquanto língua é legal? Sim. mas calma lá. Não há como negar a importância que os EUA têm para o andamento do planeta econômico. E se num passo maior, por exemplo, Chávez desistituir o ensino da língua americana em seu país, será como jogar a Venezuela para o canto do mundo. Afinal, como viver sem "dialogar" com a maior economia existente?
E não se trata aqui de conferências e reuniões internacionais, até porque, para isso há traduções simultanêas e afins. Refiro-me mesmo, aos danos causados à população venezuela sem o contato com essa língua, à propósito de formação profissonal, estudo e tudo o mais (de bom) que um país como os EUA pode proporcionar.
Exagero meu? pode ser. Mas se o embargo linguítico do nosso vizinho aí continuar, ele estará à beira do suicídio. E com uma atitude que não o diferencia muito dos seus atacados.

domingo, 24 de fevereiro de 2008

" ? Cuba libre ?"

- E agora, Fidel?
- Toca Raúllll !

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

No exit

Coisa estranha é ficar por muito tempo sem saber o que fazer para alavancar a vida; fazê-la andar a engrenagens bem lubrificadas, de dentes firmes sem aquelas derrapadas e gritos de atrito. Sempre consegui fazer isso. Dois pontos. Nivelar os excessos e dosar os movimentos incertos. Sempre consegui. Menos hoje.
Me perdi, perdi e fiz perder. Conseqüências de ações instintivas e não-pensadas. Burras. Débeis. Torpes. Só agora percebo isso. Parece um pouco tarde pra rever o ocorrido, mas não o bastante para aceitar o fato de que não somos uma ilha.

(Sabe, houve um tempo em qu’eu gostava de dormir com o barulhinho da chuva).

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Todos somos neuróticos, isto é o que nos mantém dentro da sociedade. Se não o fossemos, seriamos dispersos em prazeres unilaterais não reconhecidos pelos outros indivíduos. Por isso firmamos um contrato. dois pontos. Temos nossos desejos (de qualquer ordem) e os reprimimos para não ultrapassar um conceito ético estabelecido não sabemos por quem. Pela igreja? por Deus?
Aliás, é possível desvencilhar nossa idéia de moral e ética do dogma cristão? isto é, teríamos a atual concepção de ética se não fosse o cristianismo?
Enfim, por ter nossos desejos reprimidos é que somos neuróticos. Lacan que disse.
É por isso que às vezes pareço psicótico. dois pontos. Exponho meu desejo, e como vc não está habituada(o) a acatar essa atitude, me acha um louco. Só pareço, por que na verdade, prefiro a perversão.

Os peixes do aquário

No meu aquário há peixes.
Mas por que tenho um aquário?
Para que um aquário?
Um mar é maior que uma caixa vítrea.

Que causa tem o sustento da hierarquia?
A de negar minha frustração de peixe?
No meu aquário há peixes
E sou dono apenas do aquário.

Você já viu peixes com asas?
Eu já. Num sonho louco, apenas num sonho louco.
E louco é o sonho, eu não o sou.
Talvez o seja frente à normalidade dos peixes,
Dos peixes do aquário que não são loucos.

Porque se fossem, voariam.
E beijariam flores, fiariam ninho.
Seriam a antítese dos peixes reais.
Nos seus respectivos surtos,
Na loucura do seu mundo utópico, fantástico e fantasiado,
Enfim, loucos, voariam.


Mas dentro da caixa de vidro não há insanidade.
Os peixes do aquário não voam porque não são loucos,
Não voam porque não têm sonhos loucos,
Não voam! Porque não têm asas!


(Ixra, in identidad&plural - 2006)


Todo pervertido é um libertino. Todo libertino exerce uma liberdade. Toda liberdade exige uma solidão.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Um conto repetido


Ontem rasguei mais uma folha do calendário. Foi um dia qualquer – ou noite qualquer, se preferir - precisamente, uma quarta de cinzas, mas poderia ser terça, segunda, domingo ou um tanto faz dia de cinzas. Como resquício do carnaval, havia mais de uma fantasia nos vestindo: eu, alguns amigos e os outros, todos festejando algo que não me pus a saber. Mas havia uma festa: As barracas de jogo, barracas de comida; todos os sexos do mundo; o caixa pegador dos níqueis que eram trocados por algum diurético ou por aluci-nógenos (para estes, havia uma senha especial), havia também pernas, muitas pernas; braços, poucas mãos e algumas cabeças, além do palco. Pois, claro, numa festa de classe média tem de ter um palco para a apresentação de um grande representante da música popular; um compositor solo ou algo do tipo, para descontrair ou, ao menos distrair os convidados. Tudo isso ao final de um dia pra mim reduzido a probabilidades. Na verdade, um emaranhado de alter-nâncias e exclusões - uma vida resumida em ous. Pensei até que poderia resgatar o pouco do meu ânimo naquela festa. Assim, ao chegar lá, alguns dos meus amigos foram para o camarote, eu preferi me deslocar para os extremos do salão, então fui para perto da mesa onde estava o ponche. Apanhei um copo plástico, enchi-o com a bebida e me recostei na parede ao lado, de onde pude observar o que se passava...A música começou a tocar e a pista de dança foi se enchendo lentamente. Percebi que estávamos devagar demais para uma festa. Aquilo estava um pouco estranho: um casal ali, um grupo de amigos aqui, outro acolá... Não foi difícil notar que o lugar, ou melhor, o ambiente onde estávamos era um tanto cordial às relações unilaterais – pelo menos assim o via – como o recanto da marginalidade interacional, o meio propício para a formação de vínculos passageiros entre aqueles que se dispusessem a desfrutar a festa.O meu copo esvaziou, enchi-o e voltei para a parede, enquanto a música tocava. Depois de umas duas ou três canções, a situação começou a mudar.Não demorou muito para o Lúcio - amigo meu da faculdade – chamar-me para a pista onde estavam os outros: Ô, cara! O que faz aí no canto? – Ô, Lúcio, não tô fazendo nada demais! – Pô, então vamos lá pra a danceteria... Pensei em ir, mas meu copo já esvaziara novamente, tive que enchê-lo e só depois disso é que fui. Fiquei ao lado do Lúcio nos primeiros minutos, balançando, num movimento sutil, minhas pernas, mas pareceu-me que ele se sentira incomodado com isso, pois se afastou um pouco de mim. Eu, no meu ritmo, permaneci por ali, tragando goles do meu ponche.O globo de luz girava (e como girava), eu de alguma forma, tinha que encontrar um par pra dançar comigo, ou alguém pra levar a festa adiante. Aproximei-me então, da minha roda de amigos, a fim de curtir a festa com eles; cheguei e cumprimentei todos com um e aí, mas acho que por causa do alto volume da música ninguém me ouviu e portanto, não obtive resposta. Fiquei ali ao lado deles, dentre os quais, o Marcão – vizinho meu de longa data – fui bater um papo com ele, falar sobre algo engraçado que me acontecera há alguns dias, ou iniciar um assunto qualquer pra eu não ficar naquele silêncio: E aí, Marcão? – Fala, vizinho. Tudo bom? – Mais ou menos, velho, você não sabe o que eu fiz ontem...Comecei a contar-lhe sobre meu dia passado, em que havia ocorrido um fato sério comigo; caso de saúde e tal. Pus-me a continuar o relato quando Marcão riu. Não entendi o porquê da gargalhada, dado a seriedade do meu assunto. Depois percebi que aquela risada proveio da conversa dos nossos outros amigos, na qual Marcão prestara mais atenção que na minha. Ao término do riso, ele simplesmente se desculpou para mim e foi lá conversar com os outros. E ficaram ali, conversando entre si, e alguns continuavam a dançar com alguma garota – talvez tenha sido este último fato que os fez se destacarem da roda e terem me deixado.Sem problema! – pensei – e continuei dançando sozinho no meio da pista, com minha dança esdrúxula, cujos passos não ultrapassavam meio metro quadrado. A essa hora a bebida do meu copo já havia se dissipado, fui reabastecê-lo e quando retornei à pista, avistei uma menina. Linda, perfeita. E eu, que pouco desfrutara de relacionamentos, que mal havia experimentado mulheres, vi ali uma oportunidade êxtase para minha festa. Tentei, inicialmente, trocar alguns olhares com ela antes de ousar me aproximar. Nada d’ela me corres-ponder. Cheguei mais perto e a garota esbarrou no meu copo, derrubando todo o ponche em seu vestido. Ela, na excitação da festa, eu acho, sequer percebeu o ocorrido, tampouco me notou, e virou-se, seguindo para a pista, enquanto eu recolhia o copo no chão. Levantei-me com ele vazio na mão, precisava de mais ponche, então me desloquei até aquela mesa (isso, àquela mesma) para repor o líquido. Foi quando, ao olhar para o recipiente, notei que a bebida acabara. Não havia mais ponche. Fiquei trinta e oito segundos em frente à mesa, olhando aquela tigela sem qualquer gota dentro de si.Não havia mais ponche e eu precisava da bebida. Passei mais três segundos olhando a tigela e meu copo vazios, depois virei-me da mesa para a festa. Nesse átimo, a música parou. Assim, de súbito, parou. Eu olhava ao fundo do salão, Lúcio e os outros ainda estavam dançando; em meu redor todos também dançavam, porém eu sequer ouvia a música. Por um instante não entendi aquela cena, tentava acenar um stop para o Lúcio, ele continuava dançando; fazia, com os braços, um gesto de cessar, e todos continuavam dançando. E foi, andando de costas e em círculos pelo salão, que percebi o que era aquilo. Parei; e uma película envolveu minha íris. Uma lágrima única caiu no fundo do meu copo vazio, e aí eu soube: Havia uma festa; em todo momento, havia uma festa; ali, na minha frente, havia uma festa; ali, e somente ali, havia uma festa.Saí do recinto e fui até o porta-luva do meu carro, apanhei a arma que lá estava – um calibre 38 sem porte, licença, mas que estava ali para garantir minha autodefesa, e voltei para o interior do salão. Adentrei, e fui direto para a pista de dança. A música ainda não tocava meus tímpanos e toda angústia tomava meu corpo. O globo de luz parou de girar (não havia festa pra mim); olhava à minha volta (a festa não estava pra mim); olhava o Lúcio e os outros, ainda conversando (a festa não estava pra mim), e nesse momento, a película na minha íris já inundara a maçã do rosto. Então levantei aquela arma à minha cabeça, engatilhei-a e pude prever o cheiro de pólvora que ficaria no ar. Contei até três para o disparo:Um... Dois... Três...e.......................................................................................................................................................................................................Não, não o fiz. Não pude concretizar o ato.Baixei o 38 e, com a arma em uma mão e o copo vazio na outra, pus-me a pensar na razão que me levou àquilo.Suicídio – não valeria a pena. Melhor esperar pelo próximo aniversário. Ademais, alguém poderia tropeçar em mim.
Ixra A. ©2006
Nem temos muito o que dizer. Aliás, não precisamos.
quietos, parados, com o olho mordendo o outro,
nos entendemos.

Menos a parte fria que ficou.

domingo, 21 de outubro de 2007

Fatos, dois pontos.

Um. Toda gordinha tem o rosto lindo.
Dois. Toda garçonete, atendente de lanchonete, padaria, cantina ou qualquer outro estabelecimento idem não sabe usar o microondas - a porra da coxinha vem fervendo!
Três. O bope é pop.
Quatro. Só vou em festa descente - se começar a palhaçada , eu visto a roupa e vou embora.
Cinco. Quero dar um beijo de lábios na A.
Seis. Quero dar um beijo de corpos na P.
Sete. Um beijo de nariz na C.
Oito. E um beijo de almas com a E.
Nove. Lição de vida só se aprende morrendo.
Dez. Prêmios Literários são pagos. (a ambigüidade é válida).
Onze. Alguns frescos decidiram que a partir de 2008 ambigüidade não terá mais trema e isso "transformará" nossa vida.
Doze. Swingue e frango, pra mim, causam a mesma reação. dois pontos. não curto comer na frente dos outros.
Treze. Escreverei o catorze pra não dar azar.
Catorze. Quatorze é para almofadas.
Quinze. A promessa é uma relação capitalista.
Dezesseis. O Capitalismo fez com que todo mundo hoje nascesse nos anos 80'.
Dezessete .A maior coerência no Homem é se contradizer constantemente.

bye.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

o que, falta?

andar com alguns passos a menos em direção a escada. não sobe nem desce. regressa, e equânime a vida tenta flutuar. às vezes eu disparo um riso tonto. às vezes, escrevo sonhos que deveriam ser estigmatizados e não distingo as diferentes cores dos retalhos que me cobrem durante auqele sono. às vezes, mal reparo os remendos que costurei a (entre)linhas. ou finjo não notá-los só pra sentir novamente a sensação do rasgo.
há quem diga que para toda ação há um reação. por ex.: para toda subida uma descida. assim sendo, é igualmente lógico supor o retorno de tudo o que vai. ou de tudo o que foi.
se for o que foi , escolhemos entre a ultrapassagem fácil ou então a forçamos díficil, isto é, supomos nunca havê-la passado. se for o que vai aí não há previsão. a Física não explicaria algo assim. a metafísica talvez. como entender?
Não tente entender isso aqui.
Entenda apenas que às vezes eu me deixo isca.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A/C

A: ele é meio estranho
B: não acho.
A: como não, ele está sempre quieto, de canto, sozinho.
B: e oque é que tem?
A: que é que tem é que ele é estranho.
B: por quê?
A: ah... fica destacado, parece que só quer saber de pintar seus quadros, encenar teatro...
B: é só o jeito do cara.
A: ah, mas...ele é estranho. além de que, nunca o vi com mina nenhuma.
B: éhhh, entre oque vc viu e oque não viu há muita diferença. e, se ele for sozinho, vai ver que escolheu isso mesmo.
A: ah...nem vem...você quer dizer sozinho por opção?
B: sei lá...talvez...pra ter liberdade, não sei.
A: você é louco? quem quer ficar sozinho nesse mundo? ninguém escolhe a solidão não. ele é estranho. acho mesmo é que ele tem dificuldade com as mulheres.
B: sei não. ele ficou com a Aline.
A: que Aline?!!!??! a do TGE IV? Cê tá brincando. não boto uma fé!
B: sim, e acho que a coisa ainda está rolando.
A: ah cara, acho que é só fachada. com quantas minas vc já o viu? então, sei não. é muito esquisito.
B: hum. é o estilo de vida dele ué.
A: ah véio, não tem idéia. acho é que ele não consegue pegar ninguém não. Muito estranho. sem falar no monte de amigos gays que ele tem. O cara abraça aqueles viadinhos e ainda cumprimenta eles com beijo no rosto. sai fora.
B: Ué, mas você também não abraça seus amigos?
A: Sim, só que todos são héteros né, meu?
B: sei. Todos homens com H então...rs
A: não zua, caraio...tô falando sério!
B: ahnn...
A: cê viu como o cara veio ontem? com a camisa da Marisa Monte. Aí é foda.
B: nada a ver. Já falei que ele está ficando com a Aline. ele curte a fruta sim...ééé...
A: Aline...pelo jeito só foi ela também...
B: meu, não é porque vc não consegue ficar sem depender de uma outra pessoa pra conduzir sua vida que o cara também tem que depender. deixa ele quieto com seus amigos, quadros e teatros. vai ver ele está assim simplesmente porque não trombou uma mina que é a cara dele, que o tenha feito sentir algo mais profundo, e talvez ele não seja como vc, que vai contra aquilo que sente e pega qualquer uma só pra não ficar só, e ainda exibe sua coleção de minas como troféus.

(A olha pro lado; B continua caminhando)

A: ..............................................................
B: ..............................................................
B: ahhhnnn...
A: ahn...ahnn...
B: A, tudo bem?
A: sim...
B: não quis ofender vc, eu só...
A: tá beleza.
B: então tá.
A: ..............................................................
B: ..............................................................
B: ahn
A: ahn ahn...
B: mas…e vc, A, como está?
A: eu?.. é...bom...não sei.

Faz um tempo que não me visito.

domingo, 9 de setembro de 2007

Então vamos discutir o amor

Fato, dois pontos. o amor é uma prisão. não há quem me convença do contrário. O amor é uma prisão, e isso serve pros casados, solteiros, enrolados, tanto faz. o amor - de hoje - é uma prisão. principalmente o fictício, ou aquele mendigado por quem não tem auto-estima. prisão .este é o preço, assim como para o livre, a solidão é o pagamento. e aí, cada um de nós escolhe o que quer.

Aliás, cada um de nós, primeiro, deveria se perguntar, dois pontos. eu amo mesmo. já amei. irei amar. Digo isso porque duvido que alguém saiba me dizer o que é o amor sem confundi-lo com a profunda admiração e carinho por algo/alguém. sem confundir ainda, com paixão, sexo, dependência. e muito menos, com amor como divisão - "o amor é um só", já dizia o Luizinho (mais conhecido como Camões), que por sinal concorda comigo - amor é uma prisão. por vontade - como eu disse, cada um de nós escolhe o que quer.
E esses tipos de amor já conheço, afinal tenho belas amizades (que é um sentimento melhor) e amo todas elas. assim, admirando-as. E mulheres, amei a alma e o corpo de cada uma delas, e de algumas, só o corpo. mas não é disso que eu falo. “o amor é um”, não necessariamente precisa de dois.

O amor é um, úmido e unilateral - vc pode senti-lo e não necessariamente ser correspondido, o que é muito foda, ficar preso em celas individuais. por isso, pra dizer eu te amo custa, e muito - (lembra do preço?). poucas pessoas ouviram isso de mim dito como amor de verdade. as outras poucas que também ouviram isso, muito prova-velmente foi o amor confuso - aquele fantasiado de admiração, carinho..o que também é válido, pois todos gostamos de ouvir que somos amados, não é?. e nem precisamos questionar isso. e pois é, por isso o amor é uma prisão. não conseguir amar sem esperar o mesmo amor em troca e lamentar o fato de não tê-lo em troca, em vez de lamentar o egoísmo de esperá-lo. o que há de errado nisso?”. nada. querer ser amado não é problema. mas, sabemos que não é desse amor que estou falando, o fraterno, que é amar solidariamente o outro e se satisfazer por saber-se capaz de amar, o que é démodé, né?. falo do outro - o mendigado.

Mas de fato, o que viria ser o amor? seria querer bem ao/o outro? ter piedade? respeitar? admirar? trocar afetos? tudo isso conjugado? e se sim, se for tudo isso conjugado, então sei porque é tão difícil esse negócio. é muita coisa pra um ser como o humano.
Amor é uma prisão. mas confesso, dois pontos. as vezes ,depois que pagamos a fiança, o tempo dóe.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Hipótese

“Você pode morrer amanhã”.

É verdade.
Não lembro quem escreveu isso (só sei que li em “os cem menores contos do século” – livro organizado pelo Marcelino Freire). Mas é verdade. Podemos morrer amanhã. Aliás, a qualquer hora.
Porém, também podemos matar.
Eu mesmo já matei um cara - ou o ajudei a morrer, não sei – só sei que me senti satisfeito fazendo isso. Foi devagar... Mas foi!
Um pedacinho aqui, outro ali... Primeiro os braços - ele nem os usava – depois a cabeça, que foi a melhor parte. Mutilando com uma calma enorme, tequinhos da cabeça do cara.
Até que chegou o final. Matei.

Ele adorou a idéia, tanto que hoje é meu melhor amigo.
“Depois que morri, foi mais fácil arrumar amigos”.

Morrer.
“Você pode morrer amanhã”.
E essa morte, estranha em si, não é morte qualquer (nem mesmo severina), mas morte diferente, que ocorre em qualquer momento do dia: com luz, sem luz; fazendo a barba, arrumando o cabelo. Em qualquer momento, mas não em todo lugar. A não ser que nestes quaisquer lugares
haja um espelho.