domingo, 9 de setembro de 2007

Então vamos discutir o amor

Fato, dois pontos. o amor é uma prisão. não há quem me convença do contrário. O amor é uma prisão, e isso serve pros casados, solteiros, enrolados, tanto faz. o amor - de hoje - é uma prisão. principalmente o fictício, ou aquele mendigado por quem não tem auto-estima. prisão .este é o preço, assim como para o livre, a solidão é o pagamento. e aí, cada um de nós escolhe o que quer.

Aliás, cada um de nós, primeiro, deveria se perguntar, dois pontos. eu amo mesmo. já amei. irei amar. Digo isso porque duvido que alguém saiba me dizer o que é o amor sem confundi-lo com a profunda admiração e carinho por algo/alguém. sem confundir ainda, com paixão, sexo, dependência. e muito menos, com amor como divisão - "o amor é um só", já dizia o Luizinho (mais conhecido como Camões), que por sinal concorda comigo - amor é uma prisão. por vontade - como eu disse, cada um de nós escolhe o que quer.
E esses tipos de amor já conheço, afinal tenho belas amizades (que é um sentimento melhor) e amo todas elas. assim, admirando-as. E mulheres, amei a alma e o corpo de cada uma delas, e de algumas, só o corpo. mas não é disso que eu falo. “o amor é um”, não necessariamente precisa de dois.

O amor é um, úmido e unilateral - vc pode senti-lo e não necessariamente ser correspondido, o que é muito foda, ficar preso em celas individuais. por isso, pra dizer eu te amo custa, e muito - (lembra do preço?). poucas pessoas ouviram isso de mim dito como amor de verdade. as outras poucas que também ouviram isso, muito prova-velmente foi o amor confuso - aquele fantasiado de admiração, carinho..o que também é válido, pois todos gostamos de ouvir que somos amados, não é?. e nem precisamos questionar isso. e pois é, por isso o amor é uma prisão. não conseguir amar sem esperar o mesmo amor em troca e lamentar o fato de não tê-lo em troca, em vez de lamentar o egoísmo de esperá-lo. o que há de errado nisso?”. nada. querer ser amado não é problema. mas, sabemos que não é desse amor que estou falando, o fraterno, que é amar solidariamente o outro e se satisfazer por saber-se capaz de amar, o que é démodé, né?. falo do outro - o mendigado.

Mas de fato, o que viria ser o amor? seria querer bem ao/o outro? ter piedade? respeitar? admirar? trocar afetos? tudo isso conjugado? e se sim, se for tudo isso conjugado, então sei porque é tão difícil esse negócio. é muita coisa pra um ser como o humano.
Amor é uma prisão. mas confesso, dois pontos. as vezes ,depois que pagamos a fiança, o tempo dóe.

4 comentários:

Carlos disse...

Falaí, cara, gostei bastante desse texto aqui, acho que você escreve bem e coisas coerentes.

É o Carlos, Do francês.

Abração!!

Ixra A. disse...

Valeu, Carlos...

Sibow disse...

Oi! Li seu texto e achei bem legal, mas não concordei, resolvi deixar uma poesia se aproxima do que acredito ser o amor, leia, depois me diga o que acha.
bjs e até!

As Sem-Razões do Amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

Carlos Drummond de Andrade

Ixra A. disse...

Si...
o que o Drummond disse não está tão distante da concepção que há no meu texto.
Concordo com
"Amor é estado de graça
e com amor não se paga./
"Amor é dado de graça"/ "Porque amor não se troca"
é exatamente este o amor que defendo no texto.

mas não concordo com
"Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim."

Valeu pelo comentário. Adoro a beleza das contradições.
bjo