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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

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Aguardar o provisão do tempo e, mais que isso
não ser alguém atado a Ele.
Tal qual um homem que, a goles, traga os dias.

Às noites, exercitar o sono, o sonho ou o corpo.

Lembrar os vários amanhãs ao passo que o agora
- momento fugaz a cada vez que o constatamos –
é a égide de uma particular eternidade
não loteada, não financiada,
mas prometida
por quem a goles traga os dias.

Ser então, isso:
aquele que ávido desfruta as circunstâncias
______________ substancialmente à sua medida.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Céu Azul

O céu azul é o poético sem mediação
olho e céu se estendem
você fica do lado de fora
pensando nos seus problemas
de homem moderno comum
até que pede licença
e sai de fininho
com seu olho orgulhoso
que sabe
(você sabe)
mais que você


(Fabrício Corsaletti)

sábado, 19 de setembro de 2009

Um que era inédito

Boa tarde, amigos. Salvo engano seu, sou eu mesmo, após quase 11 meses sem postar porcaria nenhuma, a não ser essa frasezinha no post abaixo...
As coisas ficaram bem corridas e as corridas ficaram sem linhas de chegada. Na verdade, minha cabeça estava tão centrada em algumas coisas que acabei abortando as ideias "periféricas", e praticamente não produzi mais nada desde então.
Também não postei muita coisa por preguiça de ficar escrevendo em Lan Houses, porque o garoto aqui não tem banda larga (nem casa própria, nem telefone que não um celular, nem dinheiro...rs)
O Colírio, meu segundo livro, está aqui, pronto e sem data para publicação. Posto um dos textos que está nele e prometo que daqui por diante produzirei um montão de outros!

Abrax.

Tem dia que entedia

A cabeça pesa
........................sobre
................................o
................................corpo amarelo.

Mas já,
o corpo não se aguenta.
Comprime os pés de solas frientas.
Exprime a ordem, o caos
: tédio.

Alguém estendeu meus braços e encurtou o
além.
O vício não está aquém
da cabeça e do corpo ascos.

É dia de enterro,
de velar o inédito.
Não há outro no espelho.
Sou eu mesmo e o mesmo resto.

Nada de novo.
Nada
de novo.

Nem um emplastro, placebo
ou rubor para a epidemia.

O amarelado espalha-se
nas 48 horas do dia.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Carpe diem

Ser por estar
com.

ainda que estejam sendo horas
que ora apresento.

Presenteio-me por ora
com cada momento que,
(in)verso ao efêmero,

vasculha o baú do Futuro.

p/ Lidy.

domingo, 11 de maio de 2008

Sobre pano e seus derivados.

Ainda balançando as pernas
escuta o assobio.
Vê, nas imediações de si, o círculo das hipóteses.

Invisível, um homem chega
com uma corda, uns pedaços de madeira
e com algum amor no bolso.

Em alguns galhos, passa a corda.
Amarra.
Com a cola do bolso, reforça o nó.
Agrupa as madeiras. banquinho.

- Sente-se!
...
................ Pra lá
Pra cá.
...

Ainda balançando as pernas
Patrícia sorri.
(Reescuta o assobio).


E depois que cansa
deita-se no invisível corpo-travesseiro.

domingo, 14 de outubro de 2007

(Arnaldo Antunes – As coisas, Ed. Iluminuras, 2002).

O corpo

O corpo existe e pode ser
pego. É suficientemente
opaco para que se possa vê-
lo. Se ficar olhando anos você
pode ver crescer o cabelo. O
corpo existe porque foi feito.
Por isso tem um buraco no
meio. O corpo existe, dado
que exala cheiro. E em cada
extremidade existe um dedo.
O corpo se cortado espirra
um líquido vermelho.O corpo
tem alguém como recheio.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Quadro social

Um círculo à tua volta.
Estás no meio do círculo.
Tu achas o circulo feio,
Com imperfeições no seu redondo.

E queres sair,
Queres fugir,
Mas o círculo está te impedindo.
Achas que está te limitando.

Tu andas, corres, tomas o impulso e saltas,
Porém o círculo insiste, persiste em estar lá.

_ Que quer ao meu redor? – indagas.
_ Que causa tem de me prender? – perguntas.
Mas, silencioso e vicioso, ainda está lá.

O círculo gira.
E tu, com ele giras.

Esse círculo feio, feito de pessoas quadradas,
Sugere a ti uma prisão psíquica.

Mas o que há de errado com o círculo?
Ele apenas gira a sua circunferência.
O que há de errado com o círculo?
Será o centro?


Às vezes releio meus textos e sempre encontro algo que havia perdido. É estranho o que ocorre. dois pontos. ver que ainda há identificação entre o escrito e o escritor, mesmo depois de algum tempo.